
ou brutal produto interno?
Sobre o erro do processo dialético e outras heresias
Bem e Mal coexistem? Eis o erro do processo dialético: se das trevas não pode vir a luz e, tampouco, da luz sobrevir trevas e, sendo Deus o Bem supremo, como pode ter surgido d'Ele alguma coisa tida como sendo o Mal? Se do Bem provém mais Bem, ora, imperfeições não seriam aceitas. De Deus a Nietzsche, o Bem é forte e o Mal é fraco. Não há natureza humana, logo Bem e Mal são conceitos tão abstratos quanto a veracidade dos fatos e o veredito da História.Talvez o maior trunfo do Diabo é fazer-nos pensar que ele não existe. Se o Mal não existe, que critério sustenta a idéia de que o Bem existe? A própria essência destes conceitos os anulam.Um minuto de silêncio ao estimado Kant.
Suponho que a existência nada mais é que um capricho divino, e tão certo nascemos quanto morreremos. E a questão é: em qual prisma se equilibra a existência? A onisciência divina acusa que a existência é cômica, infortunadamente cômica. Segundo a tradição bíblica, existe um livro no qual estão inscritos os nomes de todos aqueles que desfrutarão o "paraíso". Trata-se do livro da vida (Filipenses 4:3; Apocalipse 3:5; 13:8; 17:8; 20:12,15; 21:27), uma alusão metafórica à sapiência divina. No entanto, tal livro existe antes da formação do mundo. Ou seja, antes de existirmos. Conclusão: antes de sermos submetidos ao teatro da existência, nossa sina já vem determinada e incondicionalmente sentenciada. Isto é: se eu me esforçar ao máximo para receber o galardão da "salvação eterna", mas se meu nome não constar no livro da vida, algo previamente determinado acontecerá que justificará a minha condenação, fazendo assim a vontade de Deus e cumprindo os termos do livro da vida. Da mesma forma, pessoas que pelo critério divino jamais poderiam usufruir do "reino dos céus" serão condicionados por fator qualquer que desconhecemos e serão "salvas".Coloco toda a veracidade dos fatos, a coincidência do ser e a plausibilidade da vida à prova ante esta tese. Aliás, esse comentário por sinal também já não estava previsto?!
Um viva ao livro da vida.
Everybody wants to be Hollywood
Os personagens elaborados para essa obra ficcional caracterizam-se pela extrema futilidade de seus comportamentos. O uso de estereótipos - o casal perfeito que sofre a temporada toda, o garanhão sarado, o nerd, a vilã invejosa que destrói a vida de todo mundo, a amiga alternativa, o pobre que entra no colégio (que tem o irônico nome de "Múltipla Escolha") e sofre preconceito entre outros - infelizmente são de fácil assimilação. Logo, não é de se assustar que alguns jovens projetem parte de si na identificação com tais personagens, fato que é lamentável. O maior problema, porém, é a identificação da relação de causa/conseqüência na composição desses elementos: eles são criados por que essa é a visão que os autores têm da juventude ou só são incluídos na obra para representar dramaticamente tipos sociais que podem fazer parte do universo jovem? Para ambas as hipóteses, creio que é um erro subestimar o intelecto de qualquer cidadão, sobretudo o dos jovens, com uma fórmula tão gasta e inapta ao que se espera de alguém que tem plena percepção e consciência de que está na fase mais ativa e revolucionária da vida.
Aliás, alguém já viu algum personagem de "Malhação" pegando um ônibus? O que diremos dos aspirantes a big brother...
+ Indulgências
Ode Misericordiosa - Inquisição de Almeida
Se eu pequei, Senhor, logo me digas
pois jamais me terá por réu confesso
mal me ensinaste a pouco fé que eu professo
e quando a exerço mais se aparenta à intriga
Sou vil pecador e, talvez por isso, seu filho
ó Senhor Altíssimo, excelso em grandeza
pareço mais contrito quando estou nas profundezas
ou Tu melhor me atendes quando finjo que me humilho?
Quisera que meu coração tão desordeiro
pudesse se sentir arrependido
e, ante a Ti, não ser tão ofendido
já que mais glória se recebe no madeiro
Tua grandeza, ó Senhor, não se disfarça
nela creio, ó Deus, e me dislumbra!
o quão sou grato mesmo estando na penumbra
que sendo luz e treva não me queima, como a sarça
Sou triste e humano e mui, mui indigno
de receber, Senhor, tuas bem-aventuranças
bem certa é a morte meu galardão de esperança
a justificar a Tua vontade, ó Deus tão digno.
17 de setembro de 2007: um jovem se masturba na lan house do edifício Maleta enquanto aprecia a doce e voluptuosa antropofagia de corpos masculinos. Previsão do tempo para os nossos corações: sim, teremos um dia ensolarado de metralhadoras, propício para derrubar mitos e deuses.
Sobre Pedro Moraleida
"Tomei meu último expresso./Mais gozar: gozo do outro: suicida/Místico-louco"
A morte como o último gozo. A vida como o efêmero instante que antecede o apocalipse. Essas são as premissas do intenso e apaixonante trabalho do poeta e artista plástico Pedro Moraleida. Dotado de uma agressividade ora irônica, ora divertida, Pedro Moraleida jorrou arte intensamente durante sua breve vida. Nascido em Belo Horizonte e formado em Belas Artes pela Universiade Federal de Minas Gerais, esse artista possui uma obra muito singular, marcada por um forte questionamento da existência e dos paradigmas da arte e da cultura através da concepção do prazer (hedonismo) ou da recusa desse (símbolo da castração freudiana) e da assimilação do fim/morte/apocalipse iminente com o sexo, o orgasmo, o êxtase final que consome e liberta. Dentro da sua obra literária, destacam-se: "Pequena revelação acerca da arte hoje ou O artista deve ser um primata" e "Os 4 'conceitos' fundamentais do 'meu trabalho' ou O conceito fala por si mesmo o que não se pode falar deve-se calar". Como característica de sua verve, Pedro Moraleida escrevia seus textos empregando um alfabeto próprio, composto por um grupo léxico e tipográfico incisivo, de signos pontiagudos e extremamente angulares, revelando um personalidade inquieta e marcante. No campo das ilustrações, figuras druídicas como alegoria do comportamento humano e seres mitológicos fundidos a pessoas e a animais da simbologia bíblica, ora envolvidos por um tênue atmosfera pueril, ora compostos sob densos estratos de pornografia, expressavam o turbilhão de idéias que enchiam o imaginário artístico de Pedro Moraleida, sempre permeado pelo questionamento da função do artista enquanto assim o é, o papel da palavra como instrumento de arte e a fugacidade da vida e do prazer ante a iminência do apocalipse e a suposto conceito de salvação/condenação.
Pedro Moraleida se suicidou em 1999, aos 22 anos. A vida breve desse artista plástico belo-horizontino não o impediu de construir uma rica narrativa visual, quase como uma necessidade urgente de colocar para fora suas aflições, conflitos e a maneira como via o mundo. Embora conheça sua arte como mero admirador e, sendo assim, inapto a tecer comentários profundos e analíticos sobre ela, reconheço a maestria e ousada subjetividade de Pedro Moraleida, pondo-o como ícone de uma geração que infelizmente sonha amordaçada.
Para conhecer a obra de Pedro Moraleida, acesse:
+ http://www.cave.cave.nom.br/
Metalinguagem da forca
aparência (do Lat. apparentia).s. f., : aspecto; forma; figura; exterioridade; probabilidade; verosimilhança; sinal; vestígio; sintoma; ilusão; quimera; disfarce; contradição da essência; projeção inadequada de desejos intrínsecos ao indivíduo; simbiose de frustração pessoal com vontade de aceitação social; equívoco; falácia; incompatibilidade de egos.
NÃO à transposição do rio São Francisco. Viva a Inquisição da resistência.

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